Como é a rede de cabos submarinos que sustenta as comunicações do mundo

A tecnologia que nos permite mandar uma mensagem de celular para um parente no Japão, fazer uma reunião via Skype com alguém na Hungria ou falar ao telefone com uma pessoa em Madagascar não se deve majoritariamente a satélites ou à abstração da “nuvem”. Se hoje fotos, emojis e memes viajam quase que instantaneamente pelo planeta, isso se deve a algo bem mais palpável: cabos submarinos — com diâmetro que toma a palma da mão.

Os cabos submarinos são responsáveis por 99% das comunicações transoceânicas (entre locais separados por um oceano) feitas no mundo. Deitados sobre o fundo do mar, eles carregam fibras ópticas por onde correm os dados com nossas vozes, imagens e mensagens.

Brasil conectado Em abril, foi anunciada a construção de mais um cabo submarino no Brasil, desta vez conectado diretamente com a Europa. Com 9.400 quilômetros de extensão, o EllaLink tem inauguração prevista para 2019. A estrutura vai ser financiada em conjunto pela Telebras e pela empresa espanhola Isla Link — num custo total de US$ 206 milhões, ou mais de R$ 670 milhões. Ela parte de Santos (SP), para em Fortaleza (CE), cruza o Atlântico e chega em Sines, no sul de Portugal. Estão previstos ainda “pit- stops” no caminho: extensões para a ilha de Cabo Verde, as ilhas Canárias e a ilha da Madeira.

Há, hoje, no Brasil, sete cabos submarinos em funcionamento responsáveis por praticamente todo o tráfego de dados do país com o mundo. O EllaLink vai ser o segundo a conectar o Brasil com a Europa. O Atlantis-2, inaugurado em 2000, já faz esse trajeto, mas tem baixa capacidade de transmissão. Os outros cinco cabos em funcionamento ligam o Brasil aos Estados Unidos. Um dos motivos para a construção do EllaLink é, justamente, a diminuição da dependência em relação aos americanos. Além do EllaLink, há mais sete outros cabos submarinos em construção no Brasil. Há, por exemplo, o cabo Monet, financiado entre outros pelo Google, que vai ligar Santos, Fortaleza e Boca Ratón, na Flórida, e deve ser inaugurado no segundo semestre de 2017. Ou o cabo Tannat, conexão entre Santos e Maldonado, no Uruguai, também previsto para 2017. Ou ainda o cabo Sacs, que vai unir Fortaleza e Luanda, capital de Angola, até 2018.

Como funcionam os cabos A expansão da rede de cabos submarinos brasileiros acompanha a expansão da rede global. Há, no mundo hoje, mais de 360 cabos submarinos em funcionamento, que perfazem mais de 800 mil quilômetros — se juntássemos todos os cabos num só, eles dariam 20 voltas em torno da Terra. Um site, feito pela TeleGeography, empresa de consultoria em telecomunicações, mostra em um mapa interativo toda essa trama de dutos subaquáticos. Os cabos saem do continente enterrados a até 1.000 metros de profundidade. Então correm pelo fundo do mar, sem outra proteção além do próprio revestimento metálico do duto. Os cabos chegam a passar por profundidades de até 8.000 metros. Em regiões mais fundas, os cabos são mais finos. Isso porque os riscos de danificá-los — por ataques de tubarões ou barcos de pesca — são menores. A instalação é feita por um navio, ao qual é acoplado um instrumento que vai “arando” o fundo do mar, criando sulcos na terra, onde, na sequência, o cabo vai sendo depositado. Só o trabalho de enrolar o cabo para colocá-lo no navio pode demorar três semanas.

Os cabos submarinos se mostram mais vantajosos que os satélites por dois motivos: não estão tão sujeitos a intempéries (chuvas fortes ou tufões podem afetar o sinal de comunicação via satélite); percorrem distâncias mais curtas (enquanto um sinal que sai de Tóquio, vai para o satélite na órbita terrestre e depois volta à Terra em Los Angeles vence 72 mil quilômetros, um cabo submarino entre as duas cidades tem apenas 9.000 quilômetros de comprimento). Além disso, as fibras óticas que atualmente recheiam os cabos submarinos têm capacidade de tráfego de dados até 1.000 vezes maior que os satélites. Cabos submarinos com fibras óticas transmitem alguns terabits de informação por segundo. É como se, em um segundo, uma fibra ótica apenas pudesse enviar o conteúdo equivalente ao que cabe em 102 DVDs, ao passo que satélites são incapazes de mandar sequer o conteúdo de apenas um DVD em um segundo.

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